TEORIA DA CAPACITÂNCIA
CONDENSADOR
Os condensadores desempenham, em circuitos de rádio, papel tão importante quanto o de bobinas ou indutâncias. Onde quer que se use uma indutância em um circuito, é quase certo também lá encontrarmos um condensador a ela associado. Pode-se definir um condensador como sendo “dois condutores quaisquer entre os quais exista um diferença de potencial e que são separados por um isolante ou dielétrico”. A corrente contínua não pode fluir através um condensador em virtude do isolamento entre as placas ou armaduras. Ao se aplicar, porém, um potencial C. C. estável às armaduras do condensador, estas se tornarão carregadas; isso significa que o condensador armazena energia elétrica.

Figura 14 – comportamento do elétron em um condensador
A ação de um condensador se explica pela estrutura eletrônica da matéria e é causada pelo deslocamento de elétrons no condutor e no dielétrico. Consideremos o condensador ilustrado à Fig. 14, consistindo de duas placas metálicas (A e B), separadas por um dielétrico (C) tal como o ar ou a mica.
Como os elétrons são atraídos por uma carga positiva, mas repelidos por uma carga negativa, se tornarmos a armadura (a) negativa, os elétrons existentes em (c) serão repelidos por (a), mas atraídos pela armadura (b) Vimos previamente que um isolante não conduz corrente elétrica em virtude dele não possuir elétrons livres. No entanto, os elétrons de um isolante podem se deslocar de seu lugar com respeito aos átomos fixos se uma tensão elétrica suficientemente lhe for aplicada. À figura 14 mostramos um elétron isolado mantido em seu lugar na matéria isolante por uma retenção elástica qual uma tira de borracha. Quando a tensão é aplicada entre as armaduras, ele avança, como mostra a linha ponteada.
Quando ele assim se desloca, temos um pequeno fluxo instantâneo de corrente elétrica através do dielétrico; após um pequeno lapso de tempo, a corrente cairá a zero desde que a tensão aplicada se mantenha inalterável.
Se removermos a tensão elétrica e pusermos as armaduras em contato, seja por um curto-circuito ou por uma resistência, os elétrons, em virtude da elasticidade de suas amarras, retornarão às suas posições primitivas, causando um fluxo de corrente em sentido oposto ao da corrente de carga inicial. É assim obtida uma corrente ao se aplicar o potencial e outra corrente em sentido oposto quando este é removido. Os efeitos produzidos nestas duas ocasiões são absolutamente idênticos e opostos.