As linhas de força magnética do enrolamento primário que não atuem sobre o secundário são chamadas linhas de força de perda ou fluxo de perda.
Já que elas não contribuem para a produção de tensão induzida no enrolamento secundário, é importante reduzir o fluxo de perda ao mínimo possível. Em transformador de força ou de áudio, isso se consegue enrolando-se ambas as bobinas sobre um núcleo de alguma matéria de elevada permeabilidade magnética, tal como o ferro doce. São duas as vantagens disso resultantes: em primeiro lugar, consegue-se reduzir consideravelmente o fluxo de perda, já que praticamente todo o campo magnético se concentrará no núcleo, trespassando, por conseguinte, o enrolamento secundário. Em segundo lugar, considerando-se que o núcleo de ferro é bom condutor magnético, conseguiremos fluxo magnético muito mais intenso para um dado número de espiras e determinada intensidade de corrente no enrolamento primário. O fluxo de perda tem também o inconveniente de induzir uma força contraeletromotriz no primário, cuja consequência equivale à colocação de uma resistência em série com o enrolamento primário, reduzindo a corrente primária e assim também reduzindo a tensão induzida no secundário.
A isto se chama reatância de perda. Usam-se transformadores com núcleo de ar nos circuitos de rádio onde a frequência é tão elevada que seriam pesadíssimas as perdas por histerese e corrente de Foucault ocorridas em núcleos de ferro.
Onde, porém, a frequência da corrente primária é relativamente baixa, como no caso de transformadores de áudio e de força, usam-se núcleos de ferro doce em virtude de sua melhor eficiência na transferência de energia do primário para o secundário.
Graças à construção do núcleo com finas lâminas de ferro, isoladas entre si como se vê na Fig. 13-B, as correntes de Foucault se tornam débeis, pois ficam circunscritas individualmente a cada lâmina, com o que a resistência para seu percurso se torna muito mais alta do que o seria se o núcleo fosse constituído de um bloco de ferro. Conquanto interrompido para o percurso das correntes de Foucault, o caminho magnético do núcleo laminado não sofre solução de continuidade, com o que sua eficiência é grandemente aumentada.
Outra modalidade de perdas ocorridas em transformador é chamada perda por histerese.
Quando um pedaço de ferro é submetido a um campo magnético variável, a magnetização nele ocorrida se atrasa com relação à força magnetizadora. Já que os átomos do ferro não mudam facilmente de posição, como é necessário durante o processo de magnetização, é necessário, para mudá-los de posição, dispender uma certa quantidade de forca magnética. Assim, uma parte da forca elétrica aplicada é empregada na modificação magnética dos átomos do ferro.
O ferro doce e o aço-silício recozido oferecem menor oposição à variação magnética do que outras modalidades mais duras de ferro ou de aço temperado.