Os defeitos mais frequentes nos aparelhos valvulados de antigamente. Hoje em dia, os grandes vilões nas reparações e nas restaurações, na visão de muitos recém-chegados na atividade, são os capacitores de papel e, principalmente, os eletrolíticos de filtro. Nem sempre é assim. Ao contrário: a mania do “recap-geral”, tão em voga nas reparações atuais, nem sempre se justifica. Nos circuitos de RF “recaps-gerais” são desastrosos.
Na verdade, os defeitos mais frequentes continuam os de sempre: maus contatos nas chaves de ondas, falhas em válvulas, capacitores de filtragem, falhas em transformadores (de saída de áudio ou de força) e… resistores alterados. Sim, senhores: os capacitores não são os principais vilões responsáveis por defeitos surgidos em equipamentos vintage. Já antigamente os resistores ficavam “a par e passo” com os eletrolíticos de filtro, por exemplo. Nos últimos tempos, voltaram a surgir, nas reparações de rádios antigos, mais casos de resistores com valores alterados do que capacitores com fugas.

Figura 7. A tendência é suspeitar dos “malvadões de sempre”, os capacitores, na procura de defeitos nos rádios antigos. A moda hoje é o “recap-geral”. É um erro. A falha pode estar num resistorzinho qualquer, como nos da foto, cuja resistência ôhmica passou a megohms e que tornou o receptor insensível, ruidoso ou até “mudo”. Com o esquema na mão, os componentes devem ser conferidos com o medidor. Os defeituosos devem ser trocados, sejam capacitores ou os nem sempre priorizados resistores.
Não se tinham estatísticas tabuladas, mas os RCA Service Data Bulletin, de 1940-50 já mencionavam isso. Assim também apontavam o manual Philips Maintenance Instruction for Radio Receivers, o Radio Troubleshooter’s Handbook e revistas técnicas da época, como Radio News e Popular Electronics. Nos casos de oficina, eram cada vez mais frequentes os defeitos produzidos por resistores alterados (valores aumentados). Resistores com resistência ôhmica alterada provocavam tensões fora do padrão, ganho baixo, problemas de polarização nas válvulas. Com a chegada da televisão isso se tornou ainda mais crítico.
Os resistores de composição (carbon composition resistors) foram um dos primeiros tipos de resistores fixos produzidos em larga escala para a indústria eletrônica. Eles dominaram praticamente toda a eletrônica comercial dos anos 1920 até o início da década de 1960, quando começaram a ser substituídos pelos resistores de filme de carbono e, depois, pelos de filme metálico.