A dica para a construção de bobinas cestadas é passar o fio, alternadamente, de dois em dois pinos, para dentro e para fora da bobina, apertando-se as espiras, mas sem exagerar na tração do fio, para não forçar os pinos de madeira. Com fio grosso o processo é mais trabalhoso, mas a bobina fica mais rígida, autossustentada.
Seguindo-se na ordem de “dois pra lá, dois pra cá”, como diz a letra da música cantada por Elis Regina, o enrolamento vai ficando com a geometria característica de estrela de várias pontas, semelhante à trama de um cesto de vime. O traçado em zigue-zague, de dois em dois pinos, logo torna evidente que os fios do enrolamento se cruzam em ponto isolados, em ângulos agudos, em vez de correrem em paralelo. Isso resulta em baixas capacitâncias interespiras, com alto fator “Q”, proporcionando a máxima seletividade e o melhor rendimento possíveis.
Concluído o enrolamento, amarram-se as interseções dos fios com linha (preferível) ou aplica-se verniz leve ou cera, retirando-se a bobina pronta do molde. Se necessário, dependendo do tipo de montagem adotada no receptor, dois ou mais pinos do molde podem ser mantidos enfiados na bobina, para facilitar a fixação desta no receptor.
Em edição vindoura de ANTENNA voltaremos ao assunto dos indutores cestados, para apresentar aos leitores os variômetros e os variocouplers, outros dispositivos de largo emprego nos receptores dos primeiros tempos O variômetro é com duas bobinas conectadas em série para alterar a indutância total do conjunto. No acoplador variável ou variocoupler as bobinas são eletricamente isoladas, mudando-se o acoplamento para alterar a transferência de sinal de um circuito para outro.

Qual o valor deste resistor antigo de composição? Depende. Um gaiato da internet ─ sempre os há ─ diria que o valor (financeiro) é de R$ 0,45. Quem não tem grande acuidade visual, diria que é um resistor de valor ôhmico de 4400 Ω (amarelo-amarelo-vermelho-prata, não comum na série comercial), de 10% de tolerância. Quem enxerga bem, diria que o valor nominal do componente é o que está na foto de abertura deste artigo: laranja-laranja-vermelho-prata, ou seja, de 3300 Ω, de 10%.
Já um veterano provavelmente explicaria que o valor efetivo de um resistor de composição depende de muitas coisas: da idade do componente, condições de uso ao que o componente foi submetido, qualidade do processo de fabricação etc. O resistor antigo de composição de carbono da foto, na medição apresentou leitura de 3430 Ω. Este foi o valor ôhmico real do componente. Mesmo sendo antigo e já usado, ele continua perfeitamente dentro da tolerância. A leitura de 3k43 (3430 Ω) representa uma deriva muito pequena: ≈ 3,9% em relação ao valor nominal.