A precisão desses resistores não era grande, já quando novos. Ao aquecerem e ao envelhecerem o valor variava ainda mais. Em rádios antigos é comum encontrar resistores de composição até 50% acima do valor nominal. Até mais que o dobro da resistência nominal já encontramos.
Em rádios valvulados antigos, os resistores que mais derivam são geralmente os de alto valor (> 100 kΩ), os de polarização de grade, os dos divisores de tensões e os resistores submetidos a calor contínuo. Já os resistores de baixo valor e maior dissipação às vezes podem permanecer surpreendentemente bons, como o exemplar de 3k3 mencionado, mostrado na abertura desta edição de Dicas e Diagramas.

Figura 9. Resistores de carvão ou de composição de carvão, como os tipo “dog bone” da foto, foram largamente empregados nos rádios da década de 1930. Maiores informações sobre esse tipo de componente podem ser encontradas neste link: https://www.facebook.com/groups/www.manorc.com.br/permalink/2379791255557551 .
O “pó de carbono” usado para a fabricação de resistores de composição não era simplesmente carvão mineral moído. Na prática os fabricantes utilizavam diferentes produtos, escolhidos conforme a resistividade desejada, estabilidade, custo e processo industrial adotado. Os materiais mais comuns eram negro de fumo (“carbon black”), grafite pulverizado, coque carbonizado moído, carbono pirolítico e outros produtos.
O negro de fumo dos resistores é um carbono amorfo extremamente fino, produzido industrialmente na combustão incompleta, craqueamento térmico e decomposição de hidrocarbonetos. É semelhante ao material utilizado na fabricação de pneus.