Resistores de composição, ou de carbono, são outros componentes pouco conhecidos na atualidade. Parecem iguais aos modernos, mas apresentam alterações críticas, no decorrer dos anos, nas características do componente.

Figura 1. Parece ser um cesto de ovos, mas é a etapa de construção de uma bobina em estilo antigo, com fio tipo DCC, double cotton covered e enrolamento especial, que reduz a capacitância distribuída entre as espiras. As varetas de madeira servem de guia para o “trançado” do fio. Depois de pronto o conjunto, retiram-se as varetas. As espiras são daí impregnadas com cera e/ou amarradas com um cordão. Na atualidade o fio “DCC” é, na verdade “DNC”, double nylon covered, sendo fabricado revestido com náilon têxtil, com aparência semelhante ao algodão.
Mais que mera isolação. A camada de algodão era adotada não apenas para isolação do fio nu de cobre: a cobertura aumentava naturalmente o espaço entre as espiras da bobina. Isso reduzia a capacitância distribuída no enrolamento, diminuía as perdas dielétricas e elevava o fator Q da bobina. O resultado era a melhoria da seletividade e do rendimento do indutor.
A capacitância parasita entre as espiras pode transformar a bobina em um circuito parcialmente autorressonante, degradando o desempenho. O fio esmaltado moderno, por ter isolamento com mínimas espessuras, permite espiras (e camadas do enrolamento) muito próximas, o que aumenta a capacitância distribuída. O esmalte dos fios empregados nas bobinas dos primeiros receptores, além disso, não tinha uma qualidade uniforme no recobrimento.
O algodão proporcionava um melhor atrito entre as espiras. Evitava bobinas frouxas: o enrolamento ficava mais bem “armado”. Bobinas frouxas podiam vibrar mecanicamente, provocando variação de indutância e da capacitância distribuída.
Fio de cobre com revestimento de algodão era menos “escorregadio” e tornava mais prática a construção manual das bobinas. Facilitava os enrolamentos espaçados, permitia cruzamentos sem risco de curto, suportava melhor tensão mecânica: era o produto preferido para o enrolamento de bobinas tipo honeycomb (favo de mel), basket weave (cestada), spider web (teia de aranha) etc. ─ tanto nos circuitos de galenas, RFS (radiofrequência sintonizada), regenerativos ou super-regenerativos.