DICAS E DIAGRAMAS – XXXXVI – Componentes de antigamente: as bobinas “cestadas” e os resistores de composição

Os pinos serão sempre em número ímpar, dispostos ao longo da circunferência.  Assim o fio nunca fará o mesmo caminho na volta seguinte. Adotamos, em nossas experiências iniciais, dois diâmetros de bobinas cestadas: 10 cm e 8 cm, com 15 pinos cada. No caso da bobina de 10 cm de diâmetro, a seção reta entre os pinos será de 31,6 mm. Use um compasso para fazer as marcações para a furação de cada pino. No caso da bobina de 8 cm de diâmetro, com 15 pinos a marcação para os furos será a cada 16,7 mm.

O número de espiras dependerá da frequência de ressonância desejada e da capacitância. Buscávamos a experimentação de circuitos regenerativos que proporcionassem melhor desempenho para a operação em ondas médias. Para manter um Q o mais elevado possível, usamos fio grosso, #18 AWG.

Com 48 espiras de fio #18 AWG, com duplo revestimento de fio têxtil de náilon, a indutância chegou inicialmente a 450 µH: com um capacitor variável de 100 pF em paralelo a ressonância ficou muito baixa, cerca de 750 kHz, longe do centro da banda de ondas médias. Em 1.080 kHz fica a Rádio da Universidade, da capital, Porto Alegre. É uma das poucas remanescentes, que pode ser sintonizada durante o dia, aqui no Sul, na faixa de OM. Retirando-se 10 espiras do enrolamento inicial e trocando-se o capacitor variável para um de 410 µF a cobertura de frequências ficou mais ampla, com frequência de ressonância próxima do centro da banda.

Figura 3. O fio de cobre rígido, revestido de algodão, está presente na maioria dos receptores dos primeiros tempos. Em circuitos clássicos, que pretendam documentar a época de 1920 e 1930, podem não caber bobinas com condutores esmaltados ─ principalmente nas restaurações e nas réplicas. O bom é pesquisar sempre, para não cometer uma impropriedade histórica. Em receptores antigos não havia indutores de RF com núcleos ferromagnéticos, por exemplo. As bobinas eram com núcleo de ar, ou seja, possuíam uma constante dielétrica baixíssima. Com núcleo de ar, mais os enrolamentos em cesta, obtinham-se desempenhos surpreendentes, em alguns circuitos, graças ao alto Q dos indutores, mais antenas de fio comprido e bom aterramento, mesmo nas montagens caseiras. Nos enrolamentos em cesta, os fios da bobina se cruzam em ângulos agudos, quase perpendiculares, em vez de correrem em paralelo.

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