Até nos primeiros super-heteródinos as grandes bobinas com enrolamento em cesta, com fio de algodão, continuaram sendo empregadas, inclusive em transformadores de FI.
Por que o algodão desapareceu? Na eletrônica, como em muitas outras atividades, imperava a necessidade de compactação. O abandono dos volumosos indutores cestados ocorreu por custo, busca por componentes de menor tamanho, necessidade de automação na fabricação das peças usadas nos aparelhos de rádio e pela melhoria da qualidade dos esmaltes sintéticos adotados para recobrimento dos fios de cobre. Os esmaltes modernos de poliuretano, poliéster e poliamida possuem excelentes propriedades dielétricas, grande estabilidade térmica e durabilidade: isso tornou obsoleta a cobertura têxtil usada na maioria das aplicações.
Em aplicações de alta qualidade, em bobinas de altíssimo Q, alguns fabricantes utilizavam fio Litz com revestimento de seda, em vez do algodão e do fio rígido para reduzir as capacitâncias parasitas e as perdas por efeito pelicular. Em um indutor comum, onde as espiras de fio de cobre correm encostadas e paralelas umas às outras, cada volta funciona como uma placa de um capacitor minúsculo.

Figura 2. Em certas frequências a capacitância acumulada entre espiras juntas pode “sabotar” o perfeito funcionamento de um receptor: ela cria perdas de sinal e desvia parte das altas frequências para a massa (“terra”). As bobinas cestadas ajudam a resolver o problema, através da mudança da geometria do enrolamento. Em vez de cilíndrico, com espiras paralelas, passa a ser em zigue-zague, com cruzamento perpendicular. O formato de uma bobina cestada lembra uma estrela de várias pontas ou uma cesta de vime, possibilitando um enrolamento sem espiras encostadas uma na outra. Apenas na pequena porção das pontas da “estrela” os fios correm contiguamente.
Dicas de construção. Nas fotografias deste artigo pode-se constatar o formato que lembra cestas de vime tecidas. Para a fabricação desse tipo de bobina não se utilizam formas cilíndricas. Usa-se como base uma tábua ou painel de compensado onde são montadas varetas/pinos de madeira ou metal, em círculo. No nosso caso, confeccionamos os pinos com espetinhos para churrasco (0,5 mm Ø), de bambu, cortados no comprimento de 12 cm.