Outra coisa escondida nos diodos: – a resistência de corpo ou bulk resistance
Embora, sob o ponto de vista da reparação ou de projeto, saber o valor da resistência de corpo, ou bulk resistance, também seja irrelevante, vale a pena um breve comentário sobre este conceito para evitar que um estudante, ou até mesmo profissionais, ao ver este termo em um livro de eletrônica pense que se possa medir a resistência de corpo com a escala ôhmica de multímetro analógico ou digital.
E por que não podemos medir a resistência de corpo com o ohmímetro?
A resistência de corpo é uma resistência dinâmica, ou seja, não tem um valor fixo, pois depende da corrente no diodo e os instrumentos só medem resistências estáticas. Simples assim!
Não iremos nos aprofundar sobre a resistência de corpo uma vez que não há interesse prático em saber seu valor.
Por outro lado, é importante saber que quando você testa um diodo na escala ôhmica de um multímetro analógico ou digital o valor obtido não significa nada e, no máximo, você poderá concluir se o diodo está em curto, se a resistência obtida for zero ohm, nos dois sentidos de condução do diodo.
E se der uma resistência muito alta nos dois sentidos de condução, podemos garantir que o diodo está aberto?
A reposta é NÃO, se você estiver testando um diodo de alta tensão como os utilizados em fornos de micro-ondas, por exemplo.
Neste caso existem dois motivos para o teste “dar ruim”.
E aqui está “escondido” o motivo para o teste com a bateria de 9 V “dar bom” e que aparece nos vídeos por aí, mas ninguém conta ou sabe o porquê.
Mas, primeiro, é preciso entender como os multímetros funcionam. Vamos lá.
Os multímetros, sejam eles analógicos ou digitais, não medem resistência.
Como assim, os multímetros não medem resistência, e a escala ôhmica faz o que?
Se você levou um susto com a afirmação acima é sinal que não leu o artigo “A medição de resistência nos multímetros analógicos e digitais e a Lei de Ohm” publicado na edição de junho de 2025.
Agora que você já leu o artigo e sabe como os multímetros funcionam na escala ôhmica, podemos começar a testar diodos com eles e saber o que se está fazendo.
Comecemos com os analógicos, que eram os que tínhamos quando os diodos semicondutores começaram a aparecer, lá pelos idos dos anos 60 do século passado, e éramos felizes com aqueles instrumentos.
Ao que me recordo, o primeiro diodo semicondutor a aparecer foi o BY126, que veio substituir os fedorentos retificadores de selênio quando estes entravam em curto, e as válvulas retificadoras também.