Modificar ou não modificar?

A recuperação ou conserto, é meramente o serviço de devolver ao equipamento a sua funcionalidade, ou seja, que volte à operação. A maioria dos trabalhos profissionais em rádios valvulados é de recuperação.

A modificação refere-se a adaptações nos circuitos, uso de componentes modernos ou a introdução de “gambiarras”, isto é, quando são adotados componentes que não existiam no projeto original.

Intervenções, sem critérios éticos e históricos no equipamento, sempre podem desfigurar o produto. Gambiarras podem depreciar completamente o valor de uma obra histórica.

Figura 1. Todas as restaurações precisam buscar a perfeição museológica, deixar o produto em condições mint (idênticas a quando saiu de fábrica), brilhando como novo? Nem todas: receptor Trinity Six, com seis válvulas UX201A, em circuito TRF e três estágios de AF, com botão quebrado, cabos puídos, gabinete de madeira gasto e painel com pátinas por uso intenso. O receptor, atualmente protegido por vidros, encontra-se no acervo do Burnaby Village Museum, Burnaby, Colúmbia Britânica, Canadá. O equipamento sofreu intervenção apenas para voltar a funcionar normalmente. A peça foi mantida intacta, para caracterizar a sua função num determinado contexto histórico. A intenção não foi exatamente a de restaurar o objeto, mas sim, demonstrar como foi usado intensamente e como foi útil aos habitantes de aldeia remota no Canadá. O rádio serve para lembrar os tempos difíceis, quando o pessoal da aldeia buscava se manter informado, na década de 1920, dos acontecimentos do mundo, através de estações captadas dos Estados Unidos.

Quando é preciso modificar? A alteração da originalidade de um equipamento antigo precisa ser muito bem pensada. Intervenções apenas para “modernização” do circuito na maioria das vezes não se justificam e depreciam o equipamento. Se ocorrerem, não poderão ser chamadas de restaurações. No máximo poderão ser classificadas como reparações ou recuperações para, eventualmente, tornar o equipamento funcional ou mais seguro.

Alterar os tipos de válvulas, por exemplo, não é restauração. Se a válvula original é considerada obsoleta ou difícil de ser encontrada, isso não permite que o profissional, em uma restauração, substitua uma válvula como uma AZ-1 por uma retificadora tipo miniatura, mais moderna, adaptada no soquete tipo pata-de-elefante, por exemplo. Nunca uma gambiarra desse tipo poderá ser apresentada exatamente como uma restauração.

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